Por que Trump não se engaja com o aquecimento global?

mwsnap031Por Samy Dana

O mundo assiste com preocupação a definição do novo governo dos Estados Unidos, agora sob o comando de Donald Trump. Uma questão tem potencial impacto enorme sobre o planeta: a mudança climática. Ao longo de sua campanha, Trump prometeu diversas vezes que abandonaria o Acordo sobre o Clima de Paris. Após sua eleição, Trump voltou atrás e se recusou a repetir a promessa. Entretanto, uma sombra continua pairando sobre o assunto: os EUA vão manter o protagonismo na luta global contra o aquecimento global?

 

A questão é complexa: apesar de todas as evidências apontarem para o fato de que estamos já vivendo o aquecimento global, ainda existe muito debate na sociedade civil a respeito do tema. O economista Dan Ariely explica a dificuldade de engajar líderes e a sociedade nesta luta:

 

“Em primeiro lugar, os efeitos da mudança climática ainda não estão sendo sentidos pela população do Ocidente. Segundo, o problema não é vívido ou mesmo visível – em geral, não conseguimos ver as emissões de CO2 à nossa volta ou sentir a mudança de temperatura. Terceiro, as mudanças são relativamente lentas e não dramáticas, o que dificulta enxergar ou sentir o problema. Quarto, qualquer resultado negativo do fenômeno não vai ser imediato; ele vai nos atingir em um futuro bem distante (ou, como os céticos pensam, nunca)”.

 

Não é à toa que os economistas comportamentais veem a questão da mudança climática como um caso clássico do que chamam de “efeito gota no oceano”: quando um problema é tão grande que perdemos fé na nossa capacidade individual de ajudarmos sozinhos as suas vítimas. Quanto mais próximos formos da vítima de um problema e quanto mais vívida for a sua situação, maiores as chances de nos envolver pessoalmente para tentar resolver a questão.

 

No entanto, com o problema da questão climática, o que acontece é o oposto: o problema não é vívido o suficiente em nossas mentes, as suas vítimas estão distantes demais de nós e a questão é tão grande que parece que qualquer esforço individual é inútil.

 

“Nós podemos começar a dirigir menos e trocar todas as nossas lâmpadas por aquelas ecológicas, mas qualquer ação que qualquer um de nós possa tomar é isolada demais para que possa ter uma influência considerável sobre o problema – mesmo se nós nos dermos conta de que quando várias pessoas fazem pequenas ações, é possível haver um efeito importante”, destaca Ariely.

 

Em um estudo realizado pela Universidade da Pensilvânia, descobriu-se que quanto mais vívida e individualizada for a descrição de um problema, maior a nossa chance de nos engajarmos com a questão. Resolver a mudança climática sozinhos parece impossível, mas mandar alimentos para uma menina em Bangladesh, nem tanto.

 

Para aumentarmos o engajamento com a ameaça do aquecimento global, será necessária uma mudança de táticas. “Salvar pessoas que ainda não estão doentes ou nem nasceram não é tão inspirador quanto salvar um único urso polar ou órfão, porque o sofrimento futuro é intangível”, explica Ariely, e recomenda: “assim que associarmos um rosto individual à causa, teremos muito mais chances de ajudar”.

 

Post em colaboração com a jornalista Carolina Ruhman Sandler

Fonte: G1

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